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Frágil Ignorância

Aos dias que correm corre uma tamanha ausência de sentir, passam-se por cima uns aos outros com uma pressa volátil e sem descanso na voz. Quem sentiu já não vê o fio à meada de tanto se esconder. O amor é uma sombra escondida do que restou à literatura resolver. Já nada se constrói, construtores deixaram de aparecer à obra, ficaram por casa, essa já velha e cheia de medos.  Antes sentiu-se, quis-se fez-se. Hoje o que resta dessa vontade?Quem representa o amor nesta terra abandonada? 
 Sou um pedaço de tristeza Partido por razão infindável anterior à minha existência,  Perdido sob falta de felicidade, sem destreza, Afastado pela solene aparência de alguém que uma vez quis ser feliz. Aquém de mar revoltado, terra molhada, pés descalços e frios, Sem casaco, sem cobertor, sem quem me acolher. Parto-me aos pedaços, pequeninos, cheia de arrepios,  Por tanto seja isto a que eu chame o que a vida vide saber. Me encontrem, me salvem, me peçam perdão, Que a quem te ache no meio de tanto alvoroço, Talvez me achem, me fechem, me estendam a mão, Se há por aí sítio para mim, seja esse poço, que por aqui não dá mais alegria então.
I still like you, R.. When I say I was expecting anything else but to see you that day, I woke up, I had ahead a day with a lot, but to see you was more than that altogether. I drank my coffee with milk, after I pet my dog and I fed her, I took a shower, I had something to eat, I left my place. I met my friends, I saw cinema, I had ice cream, talked more with my friends, I took off to another place, I met another friends, I had wine, I listened to some music, I was happy, I left that place, I texted someone for more plans, I get an answer, I joined them, I headed to places. I met more friends, I danced, I was tired, I went to the car and I SAW you, I almost didn't, my brain was not processing that was you, I looked again and I called your name: "R!" "R!", you looked back, you saw me, you smiled, you talked, you looked exactly like you have always looked, you had exactly the same energy you have always had. Three years have gone by since we last saw each other, y...
Fecho os olhos, a respiração interrompe-me. Estou viva para que conste e nada mais importa, Mas assim que abro os olhos e vejo que existo tudo perde a magia,  Eu volto a saber quem sou. Quem sou mais do que conto aos outros,  O que represento como ideia esvazia-me,  Sou contínua peça de amostra.  Por vezes cheia de confiança, repleta de passos largos, A maior parte das vezes carro em descarrilamento,  Reduzo-me a nada. Se o tempo desaparece parece que nunca passou. Só vejo não faço parte, Alguma vez fiz? Tempo é noção de se estar, Pois o tempo a mais ninguém obedece. Se existo nesta vida existo sem forma, Sem ideia, ideias criaram-se. Transformo-me à medida da vida, Vejo vida, passo momentos. Talvez seja isto que seja viver, Perdida, não encontro lugar em mim, não me salvo. A salvação dificilmente se acha, por vezes emerge do que sou. E torno-me mais do que fui, salvo quem está a minha volta, Vejo que é possível chegar aí. Vivemos tod...

the day before I left

I remember the day before I left You didn't look me in the eyes the entire day I felt alone, unseen, like a burden I could feel you hating my guts Stare fixed on something that was not me Chance to run, if you just could Day passed in sufferance, static movements We went to that place, you hated everything I was alone, looking at anyone but you People were not people they were background If they couldn't stop this I couldn't stop this Why would you hate me Day passed and you asked for a place to go A place to terminate the insufferable hours left I asked "what about that place we once went" No glance You took us there, no questions We entered we sat we ordered Silence Then you looked at me and caressed my face

I am still

Lament, I do, every time I did not recognize your pain,  Though I was thriving in our sun,  You were somewhere worrying alone.  Without me. Loss, I have, everyday that I cannot thank your for existing,  Even though I appreciate you, every little piece of what you mean.  Now this love has no where to go,  it is stuck in a dark place with no windows and no door.  Longing, I feel, so much in my skin,  about what we gave each other, eyes locked, lips sealed.  It is a nightmare today and tomorrow, where you at? Lucid, I try, to maintain every single second, In your absence, in my emotional grief, someone called.  A knife in my heart, dark no colors, listening but not really.  I exist crumbling inside, rooting for my salvation, someone will? Listless, I am, for what we lived,  For what we could have been. For what I dreamt,  For what it's worth, I am still.
 Menti,  disse que não me lembrava da última vez que tinha chorado, e lembro,  eu sei quando, sei exatamente quando foi. Chorei de tristeza, de profunda mágoa de ser como é aquilo que me infecta,  por dentro, que dor, que vazio, que sina a que me deixa sem conseguir respirar. Eu chorei tanto que não sentia que tinha corpo, tornei-me celestial. As lágrimas cobriam-me como um manto de cobre, que tristeza a minha.  Salva-te, sai desta água que te arrasta, que te agarra os pés e te afunda neste poço.  Melhores dias virão.
It is the way I am tired, the bags under my eyes and the broken heart. I mean it. Truly. There is sadness in me. Can't see much now, step by step, always slowly, always thinking.  I am sad. Believe me.  I am not a liar, I am a feeler. Maybe if I cry you will believe me.  Look I am crying, do you believe me now?

Estamos Todos Cansados, Ou É Impressão Minha?

Que sensação agridoce andarmos a bater uns contra os outros. Não é que sejamos diferentes, somos todos iguais.  As manhãs aparecem e cada um a recebe como pode. Chega-se ao final do dia só cada um sabe como chegou. Uns apressam-se e esquentam-se em histórias que não lhes pertencem, vivem para além do que imaginam mas sem nunca viver. Outros decidem hoje é o dia em que tudo muda. E outros, esses, não decidem nada, vivem sozinhos.  Será difícil viver quando não há livro de instruções, só linhas tortas ditadas um dia.  Virá a manhã solene, quente mas fria, que nos entope as veias e nos grita "Alegria!".
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Tentando perceber Que figura sem saber o que por trás te vem dizer Sem que te possas aperceber Sem marcas ou sinais Fica assim ditado que há de vir o dia Em que sejas poema e não rotina.

Está A Faltar Amor Na Minha Vida

É difícil ter tudo. Há sempre uma parte que o lençol não cobre, é um ajeitar de roupa, um sapato com folga, cabelos no ar, sentimentos a mais ou sentimentos a menos, alguma coisa falha. Redondamente, assim fico, sem jeito, sem expressão, falha tudo mas porque falhou uma coisa. Falha amor, falha trabalho, falha, a missão que nos destina. Falha algo, seja muito ou pouco, falha. E eu fico sem ter onde ir. Está a faltar amor na minha vida. 

Parte à Parte

Creio ser de mim, talvez de outros. Não, é de mim mesmo. Não me ligo, não me interesso. O início é bom, por vezes. É incrível, é a tamanha possibilidade de realidades. Faz-me sentido, tudo faz sentido, ganho poder, ganho sentimentos (percepção subjectiva das emoções), faz sentido que seja subjectivo e que sejam emoções. Mas sendo emoções ( reação a um estímulo ambiental e cognitivo que produz experiências subjetivas e alterações neurobiológicas), estamos a reagir, estamos a agir perante uma acção anterior. Então, nós agimos perante acções e essas nossas acções são percepcionadas de forma subjetiva por cada um de nós. Criamos coisas em nós devido a coisas que fizeram. Mas essas mesmas pessoas que fazem as acções que nos fizeram agir também elas foram desencadeadas por outras acções. Então somos um caminho sem fim de acções.  Quando eu não me ligo, não me interesso, quer isso dizer que a minha acção perante outras acções é a de desinteresse. E face a esse desinteresse, produzo uma pe...

Tóxico

A rapidez com que somos tóxicos.  Desarmar o outro com o que sabemos que o vai magoar, somos criminosos neste sentido.  Podemos dizer que não o quisemos desta forma, o outro chorou, mas não foi nessa intenção.  Não terá sido? Foi consciente, foi negligente.  A intenção está lá, escondida nos meandros do que nos magoa. Ver o outro desarmado com a informação que lhe depositamos, com o que sabemos que o mais certo é magoar, no entanto deitamos cá para fora, esperamos na reação a confirmação do que fizemos ou não fizemos. Todos temos a capacidade de ser tóxicos, e esta proeza é assustadora. Se sabemos o que provoca a felicidade nos outros, decerto que também sabemos o que os pode destruir.  Ser tóxico será o traço que menos nos orgulhamos de ter, mas talvez o mais fácil.  Depositar o que nos carrega tristes no que o outro possa sentir, se ser tóxico é bom, eu prefiro ser má.  

Partilhar ou Íntimo

Creio ser hoje a definição de íntimo o não partilhar. Parece tão fugaz, quase um risco, claramente um risco, não registar o momento, somente na mente, fica a imagem mental. Nunca será como na realidade o foi, mas como se a fotografia ou vídeo fossem o que na verdade foi. Na realidade foram tantas as realidades que ali couberam, com quantos olhos a viram e quantos pensamentos tiveram. Mas é isso, o risco de não registar. O risco de se perder na memória, porque já ninguém se fia na memória. Mas na verdade é na memória que procuro o que mais me é importante. É la que cabe tudo o que me ocupa. Creio ser hoje a definição de importante o que não se escolhe partilhar. 

O Pior Sítio.

Sinto sempre que o pior sítio é em nós. Perder-me na imensidão do que tenho para me dar.  É um sítio sem espaço físico mas fisicamente afecta-me, as mãos a suar, o coração a bater rápido, o medo do desconhecido.  O desconhecido sou eu, conheço-me tão bem mas sinto que por vezes nunca me percebi.  Sinto que há tanto que desconheço de mim, e tenho medo dessa pessoa.  Eu sou várias coisas, sou demasiadas coisas, mas também me esqueço de as ser.  Sinto-me confortável quando esqueço quem sou, sou apenas os momentos e não a pessoa.  Neste momento, sou mais pessoa que momento, e isso assusta-me.  Não me deixes sozinha comigo, por favor.  Está calor sinto frio,  no espelho pouco reconheço a pessoa que vejo.  Estou entre o limbo de um momento bom e um momento péssimo, essa é a pessoa que sou.

Não fui feita.

Não fui feita para falar, conviver, ser comum mortal, sim não consigo manter uma conversa sem ficar exaltada ou iniciar uma conversa que não me apetece ou com pessoas que à partida não me interessa. Não sei se é ser selectiva, ou arrogante ou simplesmente má pessoa. Talvez seja só assim, esta pessoa azeda, mas que se perceber que vale a pena falo e fico a ouvir, mas raramente as pessoas são o suficiente para eu querer ouvir. Ou porque se restringem socialmente ou porque não foram ensinadas a desenvolver o que são. Não sei. Espero demasiado dos outros, ou espero demasiado de mim mesma. Mas sim espero demasiado.

Anti-World

 Serei eu alguém intragável? Aquela pessoa que se pudesse, vivia isolada do mundo, porque o mundo custa muito, é difícil arranjar empatia, ser feliz por entre as outras vidas. Fosse eu possível, tentaria todas as hipóteses para alguém como eu. Que incompreensão tão grande. A infelicidade espalha-se de mim para os outros, parece uma doença fatal. As pessoas afastam-se. Eu própria estou afastada de mim. Vivo comigo, percebo no entanto que sinto dificuldade em viver a vida como os outros. É difícil já disse.  Estou sozinha num terraço branco, numa casa de verão, a ouvir o álbum mais triste da Taylor Swift. Há dois anos estava igual. Nada mudou.  Daqui a dois anos onde estarei eu?

O Dia Mais Longo Do Ano

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Começou tarde.  Nem percebi que tinha começado.  Assim que anoiteceu, lembrei-me, hoje é o dia mais longo do ano. A partir de agora é sempre a diminuir. Sempre que chega a este dia algo em mim quebra. Raramente o aproveito, mas penso sempre que podia o ter feito. Chego ano após ano à mesma conclusão, sempre a mesma sensação de perda, de desilusão, de ter medo de nunca o chegar a aproveitar, de não saber o que aproveitar, de não saber que vida devo levar, que momentos devo criar e querer acontecer, não sei já se sou pessoa, se sou objecto apenas do que imagino ser pessoa, se projecto o que sou ou só tiques humanos de quem humano já não tem nada, para além da pergunta, o que faço aqui?  Olho nos olhos do meu cão. Imagino que se ele pudesse falar a mesma língua que eu, se eu pudesse falar a mesma língua que ele, haveria a chance de eu perceber que ele não é feliz como eu penso e de eu perceber que tambem não o sou. Estou aqui a escrever, não estou a viver mais nenhum momento...

Adivinhei.

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Adivinha. Estás na merda outra vez.  Telemóvel virado ao contrário. Não às notificações. Não a querer fazer parte. Egoísta, mas quero dar parte de mim a quem? Quem quer parte disto? Olho o vazio de frente, prefiro ver que não há nada. Nada é melhor do que rostos, à espera. À espera de mim, cortada ao meio, e meio cortado aos meios. Existência a doer, está tudo morto, letras se formam, frases de dor, leitura entorpecida. Sou eu? Eu sou isto? Finjo a minha morte, mas só na minha cabeça. Para os outros existo, para mim existo com dor. Existir com dor, que tormento, que sina.  Que merda. Sou a melhor a esconder, escondo desde pequena. Sorrio, participo, transformo-me mas sozinha. Sozinha sou pó. Varram-me me daqui. Levem-me suavemente, façam-me transportar por ventos. Sentir a leveza de mim mesma. Ver céus de esperança, flutuar de mim mesma. Acabar com um sorriso eterno.

Morta de Vazio

Não me ajudo, os corrompidos não se conseguem ajudar. Por muito que me olhe no espelho não reconheço a tristeza no olhar,  o sorriso inverso, que figura é esta que apresento a mim mesma? Eu estava bem há uns dias, bem, dentro do possível do que é estar bem. E de repente, como uma corrente de ar que fecha portas abertas,  a porta do meu quarto fechou-se e eu fiquei aqui. Não consigo. Não consigo. Não consigo.  Estou fechada aqui, sozinha, isolada, triste,  os meus olhos não se abrem totalmente há dias. Não vejo o mundo, mas neste momento parece-me, que o mundo também se esqueceu de mim. Fiquei para trás, vejo o mundo a mover-se à minha frente. Gostava, gostava de algo mas esqueci-me do sabor das coisas,  não me lembro o que é sentir que estou bem.  Parece-me que foi há tão pouco tempo que soube  por mais pouco tempo que fosse esse sentir bem. Ouvir música com prazer, eu fiz isso! Eu lembro-me dessas sensações que felicidade! Agora? Morta de vazio. Procu...