Fecho os olhos, a respiração interrompe-me.
Estou viva para que conste e nada mais importa,
Mas assim que abro os olhos e vejo que existo tudo perde a magia,
Eu volto a saber quem sou.
Quem sou mais do que conto aos outros,
O que represento como ideia esvazia-me,
Sou contínua peça de amostra.
Por vezes cheia de confiança, repleta de passos largos,
A maior parte das vezes carro em descarrilamento,
Reduzo-me a nada.
Se o tempo desaparece parece que nunca passou.
Só vejo não faço parte,
Alguma vez fiz?
Tempo é noção de se estar,
Pois o tempo a mais ninguém obedece.
Se existo nesta vida existo sem forma,
Sem ideia, ideias criaram-se.
Transformo-me à medida da vida,
Vejo vida, passo momentos.
Talvez seja isto que seja viver,
Perdida, não encontro lugar em mim, não me salvo.
A salvação dificilmente se acha, por vezes emerge do que sou.
E torno-me mais do que fui, salvo quem está a minha volta,
Vejo que é possível chegar aí.
Vivemos todos longe uns dos outros,
Imersos na noção que temos, perdidos na noção que criámos,
Longe da pessoa que somos.
Somos tanto e mostramos tão pouco.
Reduzimo-nos sensações, ao limite que nos impusemos,
E o tempo que tanto faz parte dessa limitação.
No fundo o tempo que não existe limita-nos, no fundo limitamo-nos por nada.
Mas volta a avalanche de limites e voltamos ao nada,
Somos só problemas.
Deixamos de ser solução se alguma vez o fomos.
Escuro,
Fecho os olhos novamente.
Não vejo nada.
Preciso de não ver nada
Deixar de ter noção do que creio ser necessário.
Preciso do quê para estar viva,
Mais do que respirar se já o faço, mais do que ser se já o sou.
Volto à estaca zero, sou nada,
Mas mais do que fui, sou alguma coisa.
Comentários
Enviar um comentário