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Anti-World

 Serei eu alguém intragável? Aquela pessoa que se pudesse, vivia isolada do mundo, porque o mundo custa muito, é difícil arranjar empatia, ser feliz por entre as outras vidas. Fosse eu possível, tentaria todas as hipóteses para alguém como eu. Que incompreensão tão grande. A infelicidade espalha-se de mim para os outros, parece uma doença fatal. As pessoas afastam-se. Eu própria estou afastada de mim. Vivo comigo, percebo no entanto que sinto dificuldade em viver a vida como os outros. É difícil já disse.  Estou sozinha num terraço branco, numa casa de verão, a ouvir o álbum mais triste da Taylor Swift. Há dois anos estava igual. Nada mudou.  Daqui a dois anos onde estarei eu?

O Dia Mais Longo Do Ano

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Começou tarde.  Nem percebi que tinha começado.  Assim que anoiteceu, lembrei-me, hoje é o dia mais longo do ano. A partir de agora é sempre a diminuir. Sempre que chega a este dia algo em mim quebra. Raramente o aproveito, mas penso sempre que podia o ter feito. Chego ano após ano à mesma conclusão, sempre a mesma sensação de perda, de desilusão, de ter medo de nunca o chegar a aproveitar, de não saber o que aproveitar, de não saber que vida devo levar, que momentos devo criar e querer acontecer, não sei já se sou pessoa, se sou objecto apenas do que imagino ser pessoa, se projecto o que sou ou só tiques humanos de quem humano já não tem nada, para além da pergunta, o que faço aqui?  Olho nos olhos do meu cão. Imagino que se ele pudesse falar a mesma língua que eu, se eu pudesse falar a mesma língua que ele, haveria a chance de eu perceber que ele não é feliz como eu penso e de eu perceber que tambem não o sou. Estou aqui a escrever, não estou a viver mais nenhum momento...

Adivinhei.

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Adivinha. Estás na merda outra vez.  Telemóvel virado ao contrário. Não às notificações. Não a querer fazer parte. Egoísta, mas quero dar parte de mim a quem? Quem quer parte disto? Olho o vazio de frente, prefiro ver que não há nada. Nada é melhor do que rostos, à espera. À espera de mim, cortada ao meio, e meio cortado aos meios. Existência a doer, está tudo morto, letras se formam, frases de dor, leitura entorpecida. Sou eu? Eu sou isto? Finjo a minha morte, mas só na minha cabeça. Para os outros existo, para mim existo com dor. Existir com dor, que tormento, que sina.  Que merda. Sou a melhor a esconder, escondo desde pequena. Sorrio, participo, transformo-me mas sozinha. Sozinha sou pó. Varram-me me daqui. Levem-me suavemente, façam-me transportar por ventos. Sentir a leveza de mim mesma. Ver céus de esperança, flutuar de mim mesma. Acabar com um sorriso eterno.

Morta de Vazio

Não me ajudo, os corrompidos não se conseguem ajudar. Por muito que me olhe no espelho não reconheço a tristeza no olhar,  o sorriso inverso, que figura é esta que apresento a mim mesma? Eu estava bem há uns dias, bem, dentro do possível do que é estar bem. E de repente, como uma corrente de ar que fecha portas abertas,  a porta do meu quarto fechou-se e eu fiquei aqui. Não consigo. Não consigo. Não consigo.  Estou fechada aqui, sozinha, isolada, triste,  os meus olhos não se abrem totalmente há dias. Não vejo o mundo, mas neste momento parece-me, que o mundo também se esqueceu de mim. Fiquei para trás, vejo o mundo a mover-se à minha frente. Gostava, gostava de algo mas esqueci-me do sabor das coisas,  não me lembro o que é sentir que estou bem.  Parece-me que foi há tão pouco tempo que soube  por mais pouco tempo que fosse esse sentir bem. Ouvir música com prazer, eu fiz isso! Eu lembro-me dessas sensações que felicidade! Agora? Morta de vazio. Procu...

A Jornada Idíllica Até Glasgow

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      Cascais, 22 de outubro, a nossa equipa como as restantes duas equipas, partiu dali, mas ficámos para entrevistar não só as pessoas de lá, como a Vereadora da Câmara Municipal, Joana Balsemão, que de toda a sua generosidade e simpatia nos deu a conhecer os passos significativos de Cascais para um futuro sustentável. Já era de noite há umas horas quando pegámos nas malas e as colocámos no primeiro autocarro. Rumo a Madrid, numa viagem de mais de 10 horas que pareceu de três dias, era a primeira de muitas, o entusiasmo foi grande e acabou com um de nós a dormir no chão, pois o ressonar que nos envolvia os ouvidos era demasiado alto para entrar no mundo dos sonhos, por mais sono que se tivesse. Chegámos de manhã com uma estatística complicada, metade tinha dormido pouco e mal e a outra metade não tinha dormido. Assim foi, chegados à capital espanhola percorremos poucos metros, felizmente, até encontrar o hostel, marcado com poucas horas de antecedência mas mal sabí...