Mensagens

Tóxico

A rapidez com que somos tóxicos.  Desarmar o outro com o que sabemos que o vai magoar, somos criminosos neste sentido.  Podemos dizer que não o quisemos desta forma, o outro chorou, mas não foi nessa intenção.  Não terá sido? Foi consciente, foi negligente.  A intenção está lá, escondida nos meandros do que nos magoa. Ver o outro desarmado com a informação que lhe depositamos, com o que sabemos que o mais certo é magoar, no entanto deitamos cá para fora, esperamos na reação a confirmação do que fizemos ou não fizemos. Todos temos a capacidade de ser tóxicos, e esta proeza é assustadora. Se sabemos o que provoca a felicidade nos outros, decerto que também sabemos o que os pode destruir.  Ser tóxico será o traço que menos nos orgulhamos de ter, mas talvez o mais fácil.  Depositar o que nos carrega tristes no que o outro possa sentir, se ser tóxico é bom, eu prefiro ser má.  

Partilhar ou Íntimo

Creio ser hoje a definição de íntimo o não partilhar. Parece tão fugaz, quase um risco, claramente um risco, não registar o momento, somente na mente, fica a imagem mental. Nunca será como na realidade o foi, mas como se a fotografia ou vídeo fossem o que na verdade foi. Na realidade foram tantas as realidades que ali couberam, com quantos olhos a viram e quantos pensamentos tiveram. Mas é isso, o risco de não registar. O risco de se perder na memória, porque já ninguém se fia na memória. Mas na verdade é na memória que procuro o que mais me é importante. É la que cabe tudo o que me ocupa. Creio ser hoje a definição de importante o que não se escolhe partilhar. 

O Pior Sítio.

Sinto sempre que o pior sítio é em nós. Perder-me na imensidão do que tenho para me dar.  É um sítio sem espaço físico mas fisicamente afecta-me, as mãos a suar, o coração a bater rápido, o medo do desconhecido.  O desconhecido sou eu, conheço-me tão bem mas sinto que por vezes nunca me percebi.  Sinto que há tanto que desconheço de mim, e tenho medo dessa pessoa.  Eu sou várias coisas, sou demasiadas coisas, mas também me esqueço de as ser.  Sinto-me confortável quando esqueço quem sou, sou apenas os momentos e não a pessoa.  Neste momento, sou mais pessoa que momento, e isso assusta-me.  Não me deixes sozinha comigo, por favor.  Está calor sinto frio,  no espelho pouco reconheço a pessoa que vejo.  Estou entre o limbo de um momento bom e um momento péssimo, essa é a pessoa que sou.

Não fui feita.

Não fui feita para falar, conviver, ser comum mortal, sim não consigo manter uma conversa sem ficar exaltada ou iniciar uma conversa que não me apetece ou com pessoas que à partida não me interessa. Não sei se é ser selectiva, ou arrogante ou simplesmente má pessoa. Talvez seja só assim, esta pessoa azeda, mas que se perceber que vale a pena falo e fico a ouvir, mas raramente as pessoas são o suficiente para eu querer ouvir. Ou porque se restringem socialmente ou porque não foram ensinadas a desenvolver o que são. Não sei. Espero demasiado dos outros, ou espero demasiado de mim mesma. Mas sim espero demasiado.

Anti-World

 Serei eu alguém intragável? Aquela pessoa que se pudesse, vivia isolada do mundo, porque o mundo custa muito, é difícil arranjar empatia, ser feliz por entre as outras vidas. Fosse eu possível, tentaria todas as hipóteses para alguém como eu. Que incompreensão tão grande. A infelicidade espalha-se de mim para os outros, parece uma doença fatal. As pessoas afastam-se. Eu própria estou afastada de mim. Vivo comigo, percebo no entanto que sinto dificuldade em viver a vida como os outros. É difícil já disse.  Estou sozinha num terraço branco, numa casa de verão, a ouvir o álbum mais triste da Taylor Swift. Há dois anos estava igual. Nada mudou.  Daqui a dois anos onde estarei eu?